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Brinde
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[Verso 1]
São duas da manhã e eu 'tou na minha
Nem tenho andado em mim, eu sinto-me sozinha
Então no estúdio é onde encontro a adrenalina
Eu mal parei, nem descansei mas isto anima
E 'tamos cinco ou seis em estúdio e aquece o clima
Enches o copo e eu nem bebo quando canto, mas aceito
E damos por aqui a nossa missão mais que cumprida
E de seguida sugeres brindar à vida
[Refrão]
Um brinde à culpa que ainda me assombra
Um brinde à vida que seguiu e ao que tu nunca contas
Ainda me esforço p'ra ver saídas
Entre os demónios que me querem comer viva
Um brinde à culpa que não foi tua
Aos meus remorsos e às noites não dormidas, e
E ainda me esforço p'ra ver a vida
Sem tantos monstros, graças a uma só saída
[Verso 2]
Seguimos nós num carro em direção Lisboa
Continuo numa boa, segura da minha pessoa
Conheces família, então nem te ponho em questão
Quero só dançar p'ra me esquecer da confusão
Que tem sido a minha vida nos últimos dias
Então ofereces-me um copo p'ra curar as minhas feridas
E eu aceito
Prometes que me deixas lá em casa
Mas eu nem me lembro de te dar a morada
[Refrão]
Um brinde à culpa que ainda me assombra
Um brinde à vida que seguiu e ao que tu nunca contas
Ainda me esforço p'ra ver saídas
Entre os demónios que me querem comer viva
(Então) Um brinde à culpa que não foi tua
Aos meus remorsos e às noites não dormidas, e
E ainda me esforço p'ra ver a vida
Sem tantos monstros, graças a uma só saída
[Bridge]
E daí mal me lembro, só clichê, sei quase nada
Dizem ter-me visto a andar à toa, e eu não lembro nada
Dizem ter-me visto a cair e eu não lembro de nada
Dizem tê-lo visto a levar-me e eu não lembro de nada
Dizem ter visto a acontecer e eu não lembro nada
Dizem que tinha que saber e eu não lembro nada
Dizem que eu peco em ser mulher e eu não lembro nada
Dizem que a culpa é em parte minha e eu lembro nada
Dizes que eu nunca disse não e eu não lembro nada
Nem nunca tiveste tesão, e eu não lembro nada
Dizes que não tinhas noção e eu não lembro nada
Mas guarda algumas das imagens que me mantêm acordada
Dizes que eu nunca disse não mas eu 'tava vestida
Dizes que eu quis, mas nunca disse nada nem sóbria e viva
Eu era morta-viva nas tuas mãos e essa bebida
Matou-me o pouco que sobrava da minha magia
Dizem que é fraco eu não falar mas meio mundo fala
Dizem que eu devia gritar mas o medo é que embala
Dizem p'ra dar o peito à bala e acabar com a minha vida
Mas eu já só me sinto meio viva
[Outro]
Um brinde à culpa que não é minha
Um brinde aos gritos, aos remorsos e olhar suicida
Que a minha alma regresse um dia
Um brinde ao medo e à criança destruída
Um brinde à culpa que ainda me assombra
Um brinde à vida que seguiu e ao que tu nunca contas
Ainda me esforço p'ra ver saídas
Entre os demónios que me querem comer viva

